quinta-feira, 24 de março de 2016

REPRODUÇÃO DE MATÉRIA DO "RACISMO AMBIENTAL" SOBRE PROTESTOS DOS MUNDURIKUS CONTRA HIDRELÉTRICAS

Foto Greenpeace

"Munduruku: Protesto contra hidrelétricas no Tapajós marca o Dia Internacional das Florestas

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Lideranças do povo indígena Munduruku vão a local sagrado para protestar contra a construção de usinas no rio Tapajós
Mais de cem Munduruku, entre lideranças, guerreiros, guerreiras e crianças, foram até um trecho do rio Tapajós, considerado sagrado pelo povo, para passar um recado para o mundo: “Barre a barragem. Mantenha o rio Tapajós vivo”. Segurando faixas em diversas línguas, eles protestaram no dia 18, com o apoio do Greenpeace, contra a construção de barragens no rio que sustenta sua cultura e modo de vida, além de uma rica biodiversidade.
Ao todo, há 43 hidrelétricas previstas para a bacia do Tapajós, sendo a maior delas a de São Luiz do Tapajós, próxima a Itaituba, no Pará. Com 7,6 quilômetros de cumprimento e mais de 53 metros de altura (o equivalente a um prédio de 18 andares), a barragem planejada terá um reservatório de 729 km² (extensão maior do que a cidade de Salvador). Se construída, São Luiz do Tapajós vai destruir 14 lagoas sazonais e perenes, mais de 7 mil hectares de pedrais (áreas com pedras nos rios importantes por abrigar diversas espécies de peixes, morcegos e aves), 320 ilhas e 17 corredeiras.
A usina deve inundar ainda parte dos cerca de 178 mil hectares da Terra Indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku, que teve seu processo de demarcação paralisado por conta dos interesses do governo na área para a hidrelétrica. Ao não demarcar essa terra indígena, o governo está negando aos índios um direito que lhes é garantido pela Constituição.
“Se essa usina for construída, os impactos ambientais serão muito grandes e vão além da inundação da floresta. Os peixes que hoje vivem no rio morrerão, várias plantas não vão resistir e animais não terão o que comer. Uma coisa está ligada à outra. Quando um rio morre, muita coisa morre com ele. Se o rio Tapajós morrer, nosso povo ficará ameaçado”, diz Adauto Akay Munduruku, chefe dos guerreiros do povo.
Especialistas consideram a biodiversidade da região do Tapajós excepcional até mesmo para padrões amazônicos. Cerca de 376 km² de floresta vão desaparecer sob as águas. Espécies como o boto-cor-de-rosa, a onça-pintada, o tatu-canastra, que precisam circular livremente para procriar e se alimentar, sofrerão diretamente pelo barramento do rio. Sem contar as espécies que só existem na região e cuja existência ficará seriamente ameaçada.
“Ao insistir na construção de grandes hidrelétricas na Amazônia, o Estado brasileiro atropela direitos e ignora os riscos que o barramento dos principais rios da bacia amazônica pode causar ao equilíbrio ambiental de todo o bioma, ameaçando uma biodiversidade inestimável e vasta riqueza cultural dos povos indígenas da região. O reflexo disso será sentido por todos os brasileiros”, afirma Danicley de Aguiar, da Campanha Amazônia do Greenpeace.
Mapa mostra as cinco hidrelétricas do Complexo Tapajós, localizadas nos rios Tapajós e Jamanxim. Imagem ©Greenpeace
Mapa mostra as cinco hidrelétricas do Complexo Tapajós, localizadas nos rios Tapajós e Jamanxim. Imagem ©Greenpeace"

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